Completamente só
Na multidão,
num espaço vazio
num frio dia de inverno.

A cada dia só
Vê-se que não
só o só é triste
mas também o fraco.

Uma noite só
É como uma eternidade
ouve-se cada gota
de orvalho da cidade.

A vida só
É interminável
Começa, passa e
não termina jamais.

Estou publicando esse poema para o pessoal voltar a publicar coisas aqui no coletivo.
Abraço a todos!

"Cortina de ferro" ao avesso

Sim. contraditoriamente ainda há, num mundo multipolar, a velha gerrinha gelada. Tipo amistoso - EUA x Resto do mundo. Se de um lado, a polipotência mundial tenta exercer esse seu papel, por outro, países e blocos buscam mecanismos para conseguir seu espaço. Com a era Bush, isso se intensificou - pós11/09 e a piração do Georginho contra o terror - e agora, com a eleição estadunidense, uma grande fatia de esperança é divida por todo mundo.Só que nessa de buscar seu espaço, alguns líderes tomam posturas diversas. Se na América do Sul Lula banca o amigo de todos, Chávez é o inimigo por definição. Haja vista o que esse cara acabou de fazer na Venezuela - proibir o uso inglês em certos seguimentos. "Fale em espanhol, tenha orgulho" é o slogan do presidente.Bom, não sei se essa é uma atitude viavél, e fico me perguntando se Chávez é um cara com muita atitude, ou se ele é um líder sem a menor idéia das consequências de suas ações.Ir contra a hegemonia do inglês enquanto língua é legal? Sim. mas calma lá. Não há como negar a importância que os EUA têm para o andamento do planeta econômico. E se num passo maior, por exemplo, Chávez desistituir o ensino da língua americana em seu país, será como jogar a Venezuela para o canto do mundo. Afinal, como viver sem "dialogar" com a maior economia existente?E não se trata aqui de conferências e reuniões internacionais, até porque, para isso há traduções simultanêas e afins. Refiro-me mesmo, aos danos causados à população venezuela sem o contato com essa língua, à propósito de formação profissonal, estudo e tudo o mais (de bom) que um país como os EUA pode proporcionar.Exagero meu? pode ser. Mas se o embargo linguítico do nosso vizinho aí continuar, ele estará à beira do suicídio. E com uma atitude que não o diferencia muito dos seus atacados.

Eu odeio...

Latim!

Cansada...
Sem fôlego...
Com os rins cansados...
Com o cabelo quebrado...
Com rugas aparecendo...
Com medo...
Com sono...
Com o saco cheio...
Com raiva...

Só um teco de amor.

relendo dalton, sempre



A pretexto de um trabalho de Literatura Francesa sobre Sade e Dalton Trevisan - perversões, chicotinhos e afins - reli em uma semana cinco livros do escritor curitibano. Reconheço que não precisava tanto, mas quando começo a ler suas histórias, é uma compulsão.

Selecionei alguns mini-contos, deliciem-se:

17

- Fosse você Capitu, querida, e teria o pobre Bentinho jamais desconfiado de Escobar e do outro. Dos outros.


27

O casal divorciado assim que a filha nasceu. Aos três anos, ela passa as férias com o pai, morando noutra cidade. De volta, com a mãe, folheia um álbum de fotos.
- Olha só, mãe. Esse aqui com você...
Gritinho de espanto:
- Ei, você conhece o meu pai!


31

A mulher:
- Esse aí estuda para Doutor em Filosofia e, nas horas vagas com a família, se dedica a ser um refinado monstro.


77

- Foi o meu primeiro amor, um amor tão desesperado, quando ela me deixou, ai de mim, só não morri porque, aos 20 anos, você não morre.


141

A mulher do velho poeta:
- Em vez de ganhar dinheiro, você fica aí sentado cantando o mesmo versinho!


171

Para transar, o meu marido me passa talco no corpo inteiro: eu, nuazinha, com uma chupeta vermelha na boca.
Quando vou comprar na farmácia, digo que é para o meu filhinho, que nem tenho.


11

- Ergue a blusa.
- ...
- Baixa a calcinha.
- ...
- Fica de joelho.
- Pede perdão, sua...
- Ai, não. E o chicotinho, pô? Esqueceu? De novo, João?


[In Pico na veia, Rio de Janeiro: Record, 2002]

* ilustração de Poty


O amanhecer, o anoitecer e o amanhã

Tudo começa
com um bela manhã de sol.
Sol este forte que queima como brasa
chega ao pino do meio-dia
com um insuperável amarelo divino, dourado, quente.

O dia passa e aos pouco fica vermelho
sinal de que a sua brasa já queimou
até último fio de fogo.
Presságio de um belo crepúsculo noturno.
Anuncia a lua e as estrelas das paixões.
Pontos luminosos estonteantes.

A noite está no fim,
sinal de outro dia,
sinal de calor, brasa e do divino dourado
em mais um amanhã de nossas vidas.

Supernovas, Esmeraldas.

Meu próprio colapso se misturou a teus movimentos,
minhas palavras se embaralharam em tua boca.

Teus passos se transformaram em meu ritmo,
teu corpo meu diapasão, teus olhos, meu mar,
esmeraldas.

Teus ouvidos, minha boca.
Tua expiração, minha inspiração.
Tua mente, meu pensamento.

Teu próprio colapso se misturou a meus movimentos,
tuas palavras se embaralharam em minha boca.

Passeei largamente por
passarelas de entardeceres,
toques singelos, olhares.

Olhei para um céu de supernovas
e me embebi de teu reflexo num mar,
esmeraldas.

Olhei para um céu de esmeraldas
e me embebi de teu reflexo no mar:
Supernovas.

Sintagma vital!

Sento na varanda, que é pra observar aqueles que passam.
E, no entanto, observo mais a mim do que a eles.
É que me vejo nos outros de uma maneira contígua,
não tenho fim.

Sou tudo o que vejo e o que sinto,
de uma forma tão sensual que eu mesmo me confundo:
sinto prazer em tocar os outros (eu, enfim).

Mas as armas de fogo que surgem nas casas,
às vezes, defendem o patrimônio
de quem já não tem mais sono.


*escrevi esse poema na aula de Literatura Brasileira II, do Professor Murilo Marcondes. As aulas são sobre Murilo Mendes e eu ando tão empolgada com elas que saio por aí com idéias na cabeça, sejam apenas reflexivas ou praticadas: como este poema. Devo esclarecer, não tem a menor pretensão de parecer com Murilo Mendes. Foi apenas algo que poderia ser chamado de "escrita autmática"! Mas se vcs preferirem, podem chamar de surto poético, ou o que quer que seja!!! =P